Fernando Pessoa e os muitos Eus

Literatura, Filosofia e Conhecimento de Si · Tempo de leitura: 12–15 minutos


«Não sei quantas almas tenho. Cada momento mudei.»


— Fernando Pessoa, “Não sei quantas almas tenho”, publicado em 1930.

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O estranho habitante de nós mesmos

Quem sou eu?

À primeira vista, parece uma pergunta simples. Temos um nome, uma história, uma profissão, uma família, um conjunto de memórias. Reconhecemo-nos ao espelho e sabemos responder quando alguém nos chama.

Mas basta observarmos atentamente a nossa vida interior para descobrirmos uma realidade bastante mais complexa.

Somos a mesma pessoa quando estamos sozinhos e quando estamos acompanhados? Quando amamos e quando temos medo? Quando somos tomados pela cólera ou quando experimentamos uma profunda serenidade?

E quem somos quando os nossos pensamentos contradizem os nossos sentimentos? Quando desejamos uma coisa, mas fazemos outra? Quando aquilo que acreditamos ser entra em conflito com aquilo que efectivamente somos?

Talvez a nossa identidade não seja tão simples nem tão estável como imaginamos.

Poucos escritores exploraram este problema com tanta originalidade como Fernando Pessoa.

O poeta português não se limitou a escrever sobre as contradições da identidade humana. Criou diferentes personalidades literárias, com biografias, temperamentos, estilos e maneiras próprias de compreender o mundo.

Chamou-lhes heterónimos.

E, através deles, deixou-nos uma das mais extraordinárias investigações literárias sobre o mistério do Eu.

Mas esta multiplicidade levanta uma pergunta ainda mais profunda:

Se existem tantos Eus dentro de nós, quem é, afinal, aquele que diz «Eu Sou»?



1. Fernando Pessoa: um homem, muitas pessoas

O nome Pessoa tem uma coincidência particularmente sugestiva: remete para a própria ideia de pessoa, a identidade através da qual cada um se apresenta ao mundo.

No entanto, Fernando Pessoa parecia encontrar nessa identidade uma dificuldade fundamental.

Ser apenas uma pessoa não lhe bastava para exprimir a diversidade da sua experiência interior.

Por isso, criou autores imaginários que não eram simplesmente nomes alternativos para assinar poemas.

Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos tinham personalidades intelectuais próprias. Possuíam diferentes perspectivas filosóficas, diferentes maneiras de sentir e até diferentes relações entre si.

O próprio Pessoa explicou esta distinção na sua Tábua Bibliográfica, publicada em 1928. Para ele, um heterónimo não era um simples pseudónimo, mas uma individualidade literária completa, criada pelo autor.

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Em Janeiro de 1935, numa célebre carta dirigida a Adolfo Casais Monteiro, descreveu a génese dessas personagens e a maneira como, na sua imaginação criadora, pareciam adquirir existência independente.

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Temos, portanto, algo muito mais interessante do que um escritor que utiliza vários nomes.

Temos um homem que transforma a diversidade da consciência humana numa experiência literária.

Um homem. Várias vozes. Diferentes maneiras de existir.

E aqui encontramos a primeira ligação ao EGO SUM.

O Programa parte do reconhecimento de que conhecer-se não significa apenas conhecer a imagem que construímos acerca de nós próprios.

Significa também descobrir as diferentes tendências, disposições, desejos, crenças e contradições que participam na nossa existência.

O Eu que julgamos conhecer poderá ser apenas uma parte daquilo que somos.



2. Alberto Caeiro: o Eu que observa

A EXPERIÊNCIA DIRECTA DA REALIDADE

Alberto Caeiro é apresentado como o mestre dos outros heterónimos.

A sua atitude perante a existência é radicalmente simples: em vez de procurar incessantemente significados ocultos, procura ver as coisas tal como se apresentam.

Em O Guardador de Rebanhos, a observação da natureza assume uma importância fundamental.

«O meu olhar é nítido como um girassol.»

— Alberto Caeiro, O Guardador de Rebanhos, poema II.

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Caeiro desconfia da tendência humana para substituir a experiência directa por explicações, conceitos e interpretações.

Para ele, pensar excessivamente acerca de uma árvore pode impedir-nos de verdadeiramente a contemplar.

É uma posição poética deliberadamente radical, que não deve ser confundida com uma rejeição universal do pensamento racional.

O que Caeiro nos permite reconhecer é a diferença entre a realidade que experimentamos e as interpretações que construímos acerca dela.

Quantas vezes julgamos estar a observar o mundo quando estamos, na realidade, apenas a observar as nossas próprias opiniões?

Quantas vezes deixamos de escutar alguém porque antecipamos aquilo que esperamos que essa pessoa diga?

Quantas vezes vivemos aprisionados nas palavras e nos conceitos com que descrevemos a existência?

No EGO SUM, a perspectiva de Caeiro pode ser transformada numa prática fundamental: aprender a observar antes de interpretar.

Observar os acontecimentos. Observar as nossas reacções. Observar as emoções que surgem. Observar os pensamentos sem aceitar imediatamente que sejam verdadeiros.

Há aqui uma diferença importante relativamente ao próprio Caeiro: enquanto o poeta privilegia o contacto sensível com o mundo exterior, o EGO SUM utiliza também a observação como instrumento de conhecimento interior.

A primeira aprendizagem poderá, portanto, ser esta:

Antes de procurarmos compreender quem somos, precisamos de aprender a observar aquilo que efectivamente acontece em nós.



3. Ricardo Reis: o Eu que procura a inteireza

A ORDEM, A MEDIDA E A UNIDADE INTERIOR

Ricardo Reis representa uma atitude diferente.

De inspiração clássica, com afinidades com o estoicismo e o pensamento de Horácio, procura a medida, a disciplina interior e a aceitação lúcida da condição humana.

Na sua poesia encontramos uma das mais poderosas formulações do ideal de inteireza.

«Para ser grande, sê inteiro: nada Teu exagera ou exclui.»

— Ricardo Reis, ode datada de 14 de Fevereiro de 1933, publicada na revista Presença, n.º 37.

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Esta passagem merece particular atenção.

Reis não nos propõe que sejamos maiores do que somos. Não sugere que eliminemos todas as nossas imperfeições, nem que construamos uma personalidade idealizada.

Convida-nos à inteireza.

Ser inteiro não significa ser perfeito.

Significa não nos reduzirmos a uma única dimensão da nossa existência. Não exagerarmos uma qualidade ao ponto de ela dominar todas as outras. Não excluirmos aquilo que nos pertence apenas porque contraria a imagem que desejamos apresentar.

Podemos ser simultaneamente fortes e vulneráveis, racionais e sensíveis, prudentes e corajosos.

A unidade interior não exige que estas dimensões desapareçam.

Exige que encontrem uma relação adequada.

É precisamente aqui que o pensamento de Ricardo Reis se torna especialmente fecundo para o EGO SUM.

O conhecimento de si não consiste apenas em identificar os diferentes elementos que constituem a nossa personalidade. Consiste também em aprender a relacioná-los de maneira consciente e equilibrada.

Não basta descobrir as nossas contradições.

É necessário aprender a trabalhar com elas.

Não basta reconhecer as nossas capacidades.

É necessário colocá-las ao serviço de uma existência mais inteira.

Esta interpretação constitui um desenvolvimento filosófico e pedagógico inspirado no poema, não uma doutrina que Ricardo Reis tenha formulado nos termos do EGO SUM.



4. Álvaro de Campos: o Eu que se multiplica

O DESEJO, A CONTRADIÇÃO E A EXPERIÊNCIA DA EXISTÊNCIA

Se Ricardo Reis procura a medida, Álvaro de Campos procura a intensidade.

Engenheiro de formação na biografia imaginária criada por Pessoa, Campos é o poeta da experiência exacerbada, do entusiasmo pela modernidade, do desassossego e da contradição.

Quer sentir o mundo em todas as suas possibilidades.

Na Passagem das Horas, Campos exprime o desejo de experimentar simultaneamente perspectivas e sensações diferentes.

A sua poesia sugere-nos um Eu que não consegue permanecer encerrado numa única maneira de existir.

Quer ser muitos. Quer viver muitas vidas. Quer conhecer todas as experiências.

Mas será possível experimentar tudo sem perder o centro de si próprio?

Esta é uma das grandes tensões presentes na sua obra.

A multiplicidade pode enriquecer-nos, alargar a nossa compreensão e permitir-nos descobrir possibilidades até então desconhecidas.

Mas também pode conduzir à dispersão.

Quantas vezes desejamos seguir caminhos incompatíveis? Quantas vezes confundimos liberdade com ausência de orientação? Quantas vezes procuramos fora de nós novas experiências para evitar encontrar aquilo que permanece por resolver no nosso interior?

Campos representa, para o EGO SUM, uma questão fundamental:

Como acolher a multiplicidade da experiência humana sem nos perdermos nela?

A resposta não deverá ser a repressão dos nossos diferentes impulsos, nem a entrega indiscriminada a todos eles.

Poderá estar no desenvolvimento de uma consciência capaz de reconhecer, avaliar e orientar aquilo que sentimos.



5. Bernardo Soares: o Eu que se contempla

O DESASSOSSEGO E A OBSERVAÇÃO INTERIOR

Bernardo Soares, autor-narrador de grande parte do Livro do Desassossego, ocupa uma posição particular.

Pessoa classificou-o como semi-heterónimo, por considerar que a sua personalidade literária estava mais próxima da sua própria identidade.

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Em Soares, encontramos uma consciência que se observa constantemente, interrogando os seus pensamentos, sentimentos e estados de espírito.

A vida interior transforma-se numa paisagem quase inesgotável.

Há nele uma extraordinária capacidade de introspecção, mas também um perigo: a possibilidade de viver tão absorvido na contemplação de si que a própria existência se torne secundária.

Esta é uma distinção essencial para qualquer programa de conhecimento de si.

A introspecção não é necessariamente conhecimento.

Podemos passar anos a analisar os nossos sentimentos sem verdadeiramente os compreender.

Podemos reconhecer os nossos comportamentos e continuar a repeti-los.

Podemos adquirir um vasto vocabulário psicológico e filosófico sem que nada se transforme na nossa maneira de viver.

O desassossego de Bernardo Soares recorda-nos que a consciência de si, embora necessária, pode tornar-se um fim em si mesma.

No EGO SUM, a reflexão deve ser acompanhada por um trabalho operativo.

Observar, compreender, experimentar, agir e regressar à observação.

O conhecimento de si não deverá permanecer exclusivamente no pensamento.

Deverá manifestar-se na vida.



6. Fernando Pessoa: quem observa todos estes Eus?

Chegamos agora à questão central.

Em 1930, Fernando Pessoa publicou um poema que constitui um dos testemunhos mais impressionantes da sua reflexão sobre a identidade.

Começa por reconhecer que desconhece quantas almas possui, descreve a sua permanente transformação interior e apresenta-se simultaneamente como sujeito e observador da sua própria existência.

A certa altura escreve:

«Sou minha própria paisagem, Assisto à minha passagem»

— Fernando Pessoa, Não sei quantas almas tenho, publicado na revista Presença, em 1930.

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Estas palavras oferecem-nos uma possibilidade de reflexão extraordinária.

Existe aquele que vive.

E existe aquele que observa a vida que está a viver.

Existe aquele que sente uma emoção.

E existe a possibilidade de reconhecer essa emoção, de a examinar e de compreender a sua origem.

Existe aquele que pensa.

E existe a capacidade de interrogar o próprio pensamento.

Mas será que aquele que observa é verdadeiramente distinto daquilo que é observado?

Ou será também o observador uma construção da consciência, sujeita às mesmas ilusões e contradições?

Fernando Pessoa não resolve esta questão de maneira definitiva. A sua poesia conserva a ambiguidade, a inquietação e o mistério da identidade.

É precisamente por isso que pode oferecer um contributo tão importante ao EGO SUM.

O Programa não necessita de encontrar nas obras dos grandes pensadores respostas definitivas que confirmem antecipadamente os seus princípios.

Pode, pelo contrário, encontrar nelas perguntas capazes de aprofundar a nossa própria investigação.

E talvez a pergunta mais importante seja esta:

Quem sou eu, para além da imagem que faço de mim próprio?



7. EGO ◇ SUM: da multiplicidade à unidade

No EGO SUM, o conhecimento de si é entendido como um percurso de descoberta, relação e realização.

A identidade do Programa exprime simbolicamente esse percurso através de três princípios:

EGO

O Eu

SUM

O Sou

Reconhecimento · Consciência · Realização

EGO — O reconhecimento do Eu

O primeiro momento consiste em observar aquilo que somos: os nossos pensamentos, emoções, hábitos, desejos, memórias, possibilidades e contradições.

Fernando Pessoa mostra-nos como esta realidade pode ser surpreendentemente múltipla.

◇ — O espaço da consciência

O segundo momento corresponde ao desenvolvimento de um centro de atenção e discernimento.

Não se trata de imaginar uma entidade separada de tudo o que pensamos ou sentimos, mas de cultivar a capacidade de estabelecer uma relação mais consciente com a nossa própria experiência.

O losango representa simbolicamente esse espaço interior onde os diferentes aspectos do Eu podem ser reconhecidos, confrontados e relacionados.

SUM — A realização do Sou

O terceiro momento não consiste em adquirir uma identidade nova, artificialmente construída.

Consiste em procurar uma existência mais consciente, coerente e inteira, na qual aquilo que reconhecemos como verdadeiro possa encontrar expressão nas nossas escolhas e nos nossos actos.

Pessoa ensina-nos, literariamente, a complexidade do Eu.

O EGO SUM propõe transformar essa descoberta numa oportunidade de trabalho interior.

Existe, contudo, uma diferença que importa preservar: a multiplicidade pessoana não conduz necessariamente a uma síntese ou reconciliação. Em muitos textos, permanece irresolvida.

A unidade é uma finalidade filosófica e pedagógica do EGO SUM, não uma conclusão que devamos atribuir ao poeta.



8. Um exercício de conhecimento de si: os nossos diferentes Eus

A leitura de Fernando Pessoa pode tornar-se mais do que uma experiência literária.

Pode servir como ponto de partida para uma investigação pessoal.

Propomos um exercício simples, que poderá ser realizado num caderno, com tempo, silêncio e disponibilidade interior.

Exercício — Os Eus que habitam em mim

15–20 minutos

Uma prática de observação e reflexão inspirada na heteronímia pessoana.

1ReconhecerIdentifique três situações em que sente ou manifesta maneiras muito diferentes de ser. Descreva-as sem procurar justificá-las.

2Observar

3Confrontar

4Relacionar

5Realizar

As respostas permanecem neste exercício enquanto a página estiver aberta. Copiar reflexões

Este exercício não pretende criar personalidades diferentes, nem classificar o indivíduo segundo categorias rígidas.

Pretende apenas tornar visíveis algumas das diferentes expressões da nossa identidade, para que possamos começar a compreendê-las melhor.



9. O verdadeiro desafio: ser inteiro

Talvez a grande lição que podemos retirar deste encontro entre Fernando Pessoa e o EGO SUM seja que a nossa identidade não é uma realidade tão evidente como habitualmente supomos.

Conhecemo-nos pelos nossos nomes, pelas nossas memórias, pelos nossos hábitos e pelas histórias que contamos acerca de nós próprios.

Mas a familiaridade não equivale necessariamente ao conhecimento.

Podemos viver uma vida inteira na companhia de nós mesmos sem compreender verdadeiramente quem somos.

Fernando Pessoa revela-nos a diversidade, as contradições e o mistério dessa condição.

Alberto Caeiro convida-nos a observar.

Ricardo Reis recorda-nos o valor da inteireza.

Álvaro de Campos confronta-nos com a multiplicidade dos desejos e das experiências.

Bernardo Soares mostra-nos a profundidade — e os perigos — da introspecção.

E Fernando Pessoa, através de todos eles, coloca diante de nós uma interrogação que atravessa a filosofia, a literatura e a história do pensamento humano:

Quem é, afinal, aquele que vive todas estas experiências?

É uma pergunta que não se resolve com uma definição.

Exige atenção, reflexão e experiência.

Exige que tenhamos a coragem de examinar aquilo que julgamos saber acerca de nós próprios.

E exige, sobretudo, que o conhecimento adquirido se traduza numa maneira mais consciente de existir.

Porque talvez o mais importante não seja descobrirmos quantos Eus habitam em nós.

Talvez seja aprendermos a viver de tal maneira que nenhum deles nos impeça de sermos inteiros.



Não basta perguntar «Quem sou eu?»

É necessário aprender a ser aquilo que somos.

Reflexão EGO SUM



EGO SUM — O Programa do Eu Sou

O EGO SUM é um percurso anual de conhecimento de si que reúne reflexão filosófica, fontes tradicionais, observação consciente e exercícios de aplicação prática.

Ao longo de doze Cadernos mensais, propomos uma investigação progressiva sobre a identidade, a consciência, a vontade, a relação com os outros e a realização humana.

Não se trata de ensinar alguém a tornar-se outra pessoa.

Trata-se de criar as condições para que cada participante possa conhecer-se mais profundamente e viver de maneira mais consciente, responsável e inteira.

EGO SUM — Aqui e Agora, o Eu encontra o Sou, para realizar o Eu Sou.

Conheça o Programa em egosum.org.



Fontes e leituras recomendadas

  • Fernando Pessoa, Não sei quantas almas tenho, publicado em 1930. Texto disponível em Poetry International.

  • Ricardo Reis, Para ser grande, sê inteiro, ode de 14 de Fevereiro de 1933. Texto e referência editorial na Casa Fernando Pessoa.

  • Alberto Caeiro, O Guardador de Rebanhos, poema II. Texto na Casa Fernando Pessoa.

  • Álvaro de Campos, Passagem das Horas, poema fundamental para compreender a multiplicidade sensacionista.

  • Bernardo Soares, Livro do Desassossego, edições Assírio & Alvim.

  • Fernando Pessoa, Tábua Bibliográfica (1928) e Carta a Adolfo Casais Monteiro (13 de Janeiro de 1935), documentos essenciais para compreender a heteronímia.

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Nota editorial: as interpretações relativas ao EGO SUM são propostas de leitura filosófica e pedagógica. Não devem ser confundidas com afirmações de Fernando Pessoa acerca do Programa ou com uma doutrina de unidade interior que a sua obra necessariamente subscreva.

Luis Élye

Luis Élye is a Fine Artist, specialised in fine Oil Painting and Wildlife Art. He was traditionally initiated to the old Craft of Sacred Geometry, in the French Tradition, by a French Maître-d'Oeuvre, between the Chinese New Year of 1999 and the Spring Equinox of 2005. Since then, he has been dedicating himself to the study, the practice, the transmission and the teaching of the old Tradition of the European Master Builders.

From November 2008 onwards he has been developing a project called Sacred Geometry in Portugal (Geometria Sagrada em Portugal), a program created to share Real Sacred Geometry and bring awareness to its importance in the construction of the historic and sacred monuments of the Portuguese territory.

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